Em sua primeira edição no Pro Magno Centro de Eventos, a maior feira nacional sobre IoT ampliou os palcos de debates convidando especialistas de diversas verticais para apresentar as inovações do setor e projeções do mercado

 

No dia 18 de setembro ocorreu o segundo e último dia da Technology Hub, maior evento da América Latina sobre a Internet das Coisas (IoT). A feira mais importante de B2B voltada exclusivamente ao setor e com foco na geração de negócios ocorreu durante os dias 17 e 18 de setembro no Pro Magno Centro de Eventos, reunindo tecnologias disruptivas e especialistas para debaterem sobre a presença e os efeitos da IoT no Brasil e no mundo nos próximos anos. Este ano a feira contou com mais discussões sobre o ecossistema da Internet das Coisas com apresentações no Palco Technology Hub e no Palco de Verticais IoT. Simultaneamente, ocorreu o 4º Congresso Brasileiro e Latino-Americano de Internet das Coisas (IoT), organizado pelo Fórum Brasileiro de Internet das Coisas.

No segundo dia do evento o palco Technology Hub trouxe cinco apresentações com especialistas sobre temas de diversas verticais sobre a IoT e participação massiva da plateia.

O primeiro painel do dia abordou os “Desafios prototipagem de hardware para IoT no Brasil”, mediado pelo Fabio Souza, diretor de operações do portal Embarcados, e também teve a presença de Thiago Lima, engenheiro eletrônico e diretor do site, de Bruno Scarpin, cofundador e coordenador de tecnologia na CUBi, e de João Nilton Henrique da Rosa, sócio fundador da HENSYS. Os painelistas debateram sobre os desafios e benefícios de se desenvolver um protótipo em startups e microempresas, além de apresentarem informações sobre como conseguir alianças e parcerias para os projetos, dicas para escolher os fornecedores e os requisitos dos processos de homologação de produtos.

 

Ao final da discussão, Bruno falou sobre como a feira é uma possibilidade de fazer networking e conhecer pessoas novas. “É ótimo, porque em um evento como esses você encontra as pessoas mais importantes no meio. E eu já vim outras vezes à IoT Latinoamérica e o pessoal do Embarcados está sempre envolvido. É sempre muito bom”.

João comentou sobre a contribuição do evento para a transmissão de conhecimentos, especialmente em temas específicos e carentes de informação. “Acho que o evento e as palestras (…) são fundamentais para dar um norte para a pessoa na hora que ela vai desenvolver ou começar a pensar na produção de um produto de hardware, para ele saber o que vai enfrentar pela frente no caminho. E acho que, como um todo, o pessoal tem um interesse por esse ponto que é muito pouco explorado (…). De modo geral, o evento ajuda muito o ecossistema de hardware aqui no Brasil”.

 

Fabio e Thiago, do Embarcados, acreditam em um evento ainda maior e fornecendo ainda mais informações sobre as mais diversas vertentes do IoT. “Esses três palcos com conteúdo é uma coisa que tem que continuar, na verdade a gente propõe que tenham até outros palcos com verticais, por exemplo saúde, indústria. (…) . A gente não tem nenhuma dúvida que vai ter eletrônica por todos os lados logo em breve, estamos vendo aí cada vez mais os smartphones e sistemas na casa, no carro, na indústria também por todos os lados”, ressaltou Thiago.

Pensando na transmissão do conhecimento sobre a tecnologia e oportunidades de mercado, Fabio explica: “Para que o pessoal entenda que o futuro é tecnológico e vai ter cada vez mais soluções eletrônicas presentes no dia a dia, a ideia é o ano que vem tentar trazer mais públicos e fazer esse mercado movimentar aqui no Brasil”.

 

No segundo painel do dia, Eduardo Endo, head de produtos digitais cognitivos na Mutant e Consultor de Inovação, discursou sobre o tema “A Realidade Dura e Crua da IA”. Na apresentação debateu alguns conceitos sobre inteligência artificial aplicada aos agentes virtuais de voz, além de explicar tópicos como criação de persona, tom, oportunidades da estratégia e mitos associados aos chats.

 

E afirmou que no futuro as interações serão realizadas muito mais por voz, do que por texto. “Esse assunto é muito novo, agentes virtuais de voz são algo muito raro ainda no Brasil, de voz principalmente, e são poucos os que fazem [chats] com esse tipo de assertividade. Hoje por dentro desses robôs de voz passam mais de 500 mil ligações por mês. (…) É uma tendência e não vai voltar, no futuro a URA vai acabar, vai acabar você ficar digitando 1, 2, 3, o robô vai entender”.

 

Com o tema “Interoperabilidade em projetos de IoT” o terceiro painel contou com a participação dos especialistas Álvaro Gabriele, líder de IoT na Mtel Tecnologia, Omar Rodrigues, líder para Indústria Healthcare da DXC Technology, Eduardo Terzariol, gerente de software services na Logicalis, Gustavo Guimarães Brito e Guilherme Artuso, diretor de setor público da Unisys.

 

Os profissionais focaram em soluções para vários setores da sociedade como agronegócio, saneamento e cidades inteligentes, envolvendo melhorias no fluxo de comunicação entre sistemas distintos. Um dos tópicos do debate foi a melhoria social relacionada ao uso dessas tecnologias. Como exemplo, Álvaro citou sua plataforma, que pode ser aplicada para controlar a gestão da distribuição hídrica. “Existem centenas de empresas concessionárias que cuidam do fornecimento do saneamento no Brasil, o potencial de utilização dessa plataforma é enorme. Já estamos trabalhando com algumas dessas concessionárias e elas estão ansiosas para que os resultados sejam satisfatórios e tragam benefícios. (…) Só está gerando benefícios socioambientais, trazendo sustentabilidade e qualidade de vida e está criando benefícios financeiros e operacionais, melhorando as empresas e os clientes finais”.

 

Por outro lado, Guilherme falou sobre os desafios dessas novas plataformas, sendo o principal abandonar soluções “pequenas” em prol de grandes modificações. “Porque você vai conseguir atender diversas demandas de negócio e vai conseguir conversar com diversos tipos de sistemas que hoje em dia ainda não se conversam. Quando a gente conseguir fazer isso eu acho que grandes projetos vão começar a surgir e vamos utilizar, provavelmente também, a nuvem como um grande viabilizador e até a internet 5.0, que vai facilitar bastante”.

Na opinião de Omar, a participação na feira é benéfica por disseminar as soluções na área da saúde usando o IoT e melhorar a condição do setor no Brasil. “A importância de minha participação no Technology Hub sobre projetos de IoT, ou IoMT (Internet of Medical Things), é poder compartilhar a experiência coletiva da DXC Technology na área de saúde e a implementação de soluções pragmáticas para ajudar a melhorar o serviço de saúde no país, uma necessidade real para permitir criar a sustentabilidade necessária para chegarmos a um sistema verdadeiramente universal de saúde”.

Ao final do painel Terzariol comentou sobre como a comunicação entre as empresas, sejam elas grandes ou pequenas, podem levar a construção de soluções para o mercado e sociedade. “Acho que todas as verticais podem sair ganhando, saúde, saneamento básico, nós falamos de agronegócio. Então acho que isso, somando à experiência que a gente tem numa indústria, pode levar parte dela para outra indústria. Acho que é um cenário para, todo mundo, sentir um pouquinho dessa tecnologia”.

O penúltimo painel buscou apresentar respostas e informações sobre “Inteligência Artificial”, para abordar o assunto foram convidados Valter Wolf, diretor da Associação Brasileira de Inteligência Artificial (ABRIA) e Diretor da MEF, e Fernando Lopes, Secretário Geral ABRIA e Diretor da MVisia. Os especialistas trouxeram detalhes sobre a AÍ, com foco em sua aplicação prática que beneficiará cada vez mais setores. Ao final da apresentação conversaram com o público sobre mitos e mercado.

 

Os palestrantes ressaltaram que o país não pode deixar passar essa onda tecnológica que produzirá muitos efeitos e, pensando na geração de conhecimento para o futuro, Fernando destacou a união entre faculdades e mercados como prioritária. “Você sai na Universidade e entra num outro mundo, para o mundo do mercado de engenharia, do teórico para o prático. E o engenheiro tem a missão de colocar no prático, porque só o teórico não vai resolver os problemas da economia real. Então é um choque muito grande e tem que aproximar esses dois ecossistemas e isso aconteceu no evento, a galera da Universidade veio e nós estávamos apresentando como ABRIA. (…) Então o evento ele é um ponto focal”.

 

Ao final, Wolf fez uma análise sobre o evento e destacou sua relevância por unir oportunidades de negócios e transmitir conteúdos ao público. “Eu acho muito importante esse tipo de evento para compartilhar conhecimento com a sociedade, com os players da indústria e para aprender também. A grade está excepcional esse ano e eu realmente estou impressionado, inclusive. Aprendi bastante, fiz muitos contatos e espero ano que vem estar de volta”.

Fechando o evento com chave de ouro, o último painel foi sobre “Impressão 3D” e ministrado pela Winna Zansavio, professora do curso livre Shift de Marketing Digital e do MBA de Digital Data Marketing na Fiap. A apresentação focou na explicação sobre a tecnologia, sua aplicação em diversas áreas, os processos envolvidos, além de mencionar os softwares mais utilizados no mercado de modelagem 3D.

 

A especialista enfatiza que apesar do tema ser muito mais conhecido e divulgado no exterior, o Brasil está cada vez mais veiculando informações sobre a tecnologia. “Está em crescimento na mídia, falaram também um monte de besteira muitas vezes, mas muitas foi bem legal. Mas eu acho que é importante, acho até quando fala besteira sabia? Porque populariza, a gente precisa popularizar mais tecnologia e inovação no Brasil. A gente não pode ficar lá atrás e, infelizmente, ainda não é popularizado como deveria ser idealmente”.

 

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