Pela primeira vez no Pro Magno Centro de Eventos, a maior feira nacional sobre IoT ampliou os palcos de debates trazendo especialistas de diversas verticais para apresentar as inovações do setor e projeções da indústria

 

A tecnologia faz cada vez mais parte do nosso cotidiano e esta semana a Technology Hub, maior evento da América Latina sobre a Internet das Coisas (IoT), demonstrou que a tendência é aumentar. Reconhecida como a feira mais importante de B2B do país o evento, que ocorreu durante os dias 17 e 18 de setembro no Pro Magno Centro de Eventos, é voltado exclusivamente para o setor, com foco na geração de negócios e reunindo tecnologias disruptivas e especialistas para debaterem sobre a presença e os efeitos da IoT no Brasil e no mundo nos próximos anos.

 

Este ano a feira contou com mais discussões sobre o ecossistema da Internet das Coisas com apresentações no Palco Technology Hub e no Palco de Verticais IoT. Simultaneamente, ocorreu o 4º Congresso Brasileiro e Latino-Americano de Internet das Coisas (IoT), organizado pelo Fórum Brasileiro de Internet das Coisas. O palco Technology Hub trouxe dez palestras. No primeiro dia foram cinco apresentações com especialistas sobre temas de diversas vertentes acerca da IoT e auditórios com intensa interação do público.

 

O painel foi aberto com o tema “Automação e RFID” mediado por Ricardo Verza Amaral Melo, executivo de negócios da GS1 Brasil, e apresentações de Luiz Costa, engenheiro e especialista em RFID pela GS1 Brasil, Alexandre Santos, engenheiro de soluções sênior para a Latinoamerica da Impinj, e Roger Davanso, engenheiro de operação na CCRR. O RFID é uma tecnologia de captura e armazenamento de dados por meio da radiofrequência ou, segundo Roger, a evolução da coleta de dados.

Os palestrantes debateram sobre o conceito, usos práticos em diversos setores, além dos custos e benefícios da tecnologia. Alexandre Santos, que falou sobre os meios de aplicação do sistema, reforçou o uso do RFID como promissor. “Hoje tudo o que envolve internet das coisas, como até a gente pergunta aqui, sempre trata muito de sensores. Quais os tipos de sensores, quais são essas coisas que estão se conectando à internet? E um dos meios mais importantes de comunicação das coisas com a internet hoje é através de rádio, seja o que falamos aqui ou sejam outras tecnologias que estão no mercado”.

Com foco nas dúvidas dos investidores, Roger Davanso explicou sobre o uso das Tags (etiquetas) para registro dos dados e os custos e benefícios associados. Para ele o esclarecimento é importante para estimular o desenvolvimento e disseminação de tecnologias. “Às vezes a gente passa no pedágio e nem sabe o que está acontecendo ali, às vezes vai numa loja, pega um produto e não sabe tudo o que aconteceu na cadeia logística, na cadeia de fabricação desse produto. (…) Lá fora a logística é bem mais avançada que a nossa, aqui no Brasil estamos engatinhando ainda, mas se você for ver não é todo mundo. A gente fica com aquela mentalidade de que aqui no Brasil nada funciona, mas funciona sim muito bem”.

Ricardo avaliou a apresentação e afirmou que eventos como o Technology Hub são importantes justamente por ampliar os conhecimentos sobre IoT e radiofrequência às massas, além de desmistificar conceitos. Melo também apresentou uma visão positiva sobre o mercado. “A perspectiva é um crescimento grande na adoção da radiofrequência, grandes players do mercado são referência e já estão abraçando isso. (…) A gente tem um crescimento ao longo dos anos, mas no ano de 2019, especialmente, percebi que teve um incremento maior em relação ao ano anterior”.

 

Com o tema “Internet industrial” o segundo painel teve palestras de Gustavo Gattass Ayub, gerente sênior de produtos para dados e inteligência artificial na Microsoft Brasil, de Ricardo Gonçalves, diretor de desenvolvimento de negócios da Pollux e integrante da força tarefa de negócios na ABII (Associação Brasileira de Internet Industrial), e de Bruno Lupetti, gerente regional da Pepperl+Fuchs.

Os palestrantes abordaram o uso e necessidade da tecnologia na Indústria 4.0, focada em cidades inteligentes e o uso de sensoriamento de máquinas para coletar e armazenar dados na nuvem, além das novas relações com o consumidor por meio da personalização de ofertas. Bruno deu exemplos de sensoriamento de máquinas para otimizar os processos e apontou o evento como diferencial para o mercado nacional. “A competitividade é um dos pilares é uma das demandas da internet industrial, da indústria 4.0 e realmente é muito gratificante poder participar como palestrante e mais do que isso como ouvinte, de um evento tão enriquecedor com conteúdo, com debate como esse”.

Apresentando a visão da Microsoft sobre produtos e soluções inteligentes, Gustavo salientou que a feira é uma oportunidade para a sociedade e investidores enxergarem os benefícios da IIoT. “Para os empresários darem a oportunidade que se apresenta, as oportunidades de mercado e de crescimento que a nossa indústria tem olhando para essa revolução industrial 4.0. A possibilidade de fazer um uso mais eficiente dos dados, da inteligência artificial, para trazer ganho de produtividade, mas especificamente para desenvolver novos produtos. A gente acredita e enxerga cada vez mais o surgimento de produtos inteligentes, mais uma vez atendendo às necessidades desse consumidor moderno”.

 

Ricardo Gonçalves abordou mais a fundo o perfil do novo consumidor e sobre usos da automatização para customizar o atendimento. “Eu acho que é extremamente importante o evento, porque nós estamos falando de um tema aqui que além de ser importante ele é urgente. (…) Eventos como esse criam, além de conhecimento às pessoas, um senso de urgência. E eu vejo como extremamente importante o evento, extremamente esclarecedor. As empresas que aqui estão vejo que contribuem muito com o ecossistema de IoT no Brasil e como ABII ficamos muito satisfeitos de ver o quão pujante estão o mercado e eventos tão bem estruturados como esse”.

 

O terceiro painel do dia apresentou informações sobre “Realidade Virtual (VR) e Realidade Aumentada (VA)”, com a presença do Flavio Mayerhofer, fundador do Studio XR e diretor executivo do XRBR, do Leonardo Ferro, economista e membro do conselho fiscal do XRBR, e do Rawlinson Peter Terrabuio, cofundador e CEO da BEENOCULUS. Os painelistas apresentaram um panorama sobre extended reality (realidade estendida) desde a apresentação da tecnologia às mudanças que pode gerar na sociedade.

 

Rawlinson mencionou que já existe um ecossistema considerável no Brasil sobre XR e que a desmistificação sobre o conceito e o setor é necessário para ampliar seu desenvolvimento. “Para o público, é algo que parece novo porque realmente é uma tecnologia que vem chegando de uma forma muito rápida e ainda pouco assimilada, porque extended reality envolve realidade virtual aumentada e mista e aí as pessoas ainda não sabem a diferença entre essas tecnologias e o quanto isso vai impactar as nossas vidas e os nossos negócios”.

 

Leonardo falou sobre como a primeira onda da realidade virtual está associada ao entretenimento e ao mundo dos games, mas que no futuro todas as áreas poderão ser favorecidas por essa tecnologia. “A nossa sensação, nossa percepção é que a aplicação dela é infinita. Não tem uma área que não possa se beneficiar do uso desse tipo de tecnologia. Ela é só mais uma das tecnologias que está inserida dentro desse contexto que a gente tá falando, de transformação digital, que está impactando na maneira como percebemos tudo a nossa volta”.

 

Um dos temas apresentados foi a trajetória do XRBR. Flavio mencionou que a associação iniciou por meio de um Hub e que a feira tem um papel importante ao integrar diferentes tecnologias. “A gente tá muito feliz também de ser uma das várias associações que estão aqui, acho que isso também é muito bacana de ver e acho que é muito bacana que esse tipo de iniciativa continue e ano que vem a gente está aqui com certeza!”.

 

O tema do penúltimo painel do dia foi o “5G” com informações apresentadas por Wilson Cardoso, Vice-presidente da 5G Brasil e Chefe de Soluções da Nokia para a América Latina, Giovani Prado Siqueira, Head of TIP Technology LATAM do Facebook, João Henrique de Souza Pereira, diretor de Cultura, Engajamento e Métodos da Algar, José Gontijo, Diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital da Secretaria de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações do Brasil, e por José Marcos Câmara Brito, professor titular do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel).

 

Os painelistas debateram sobre o que é o 5G, além dos desafios e múltiplos benefícios que virão com a implantação da tecnologia. Também abordaram sobre o potencial do sistema em setores como o de agricultura. João falou sobre as oportunidades que essa comunicação trará e pontuou que nada será possível sem os devidos investimentos. “Acho importante a gente ampliar as discussões do 5G, até para ficar cada vez mais claro para nós, para os parceiros e para as empresas, quais as aplicações e os usos que pode ter. Com isso podemos antecipar essa preparação, até para que o Brasil e as empresas não percam a onda novamente, assim como perdemos, das tecnologias anteriores”.

 

Ao final do evento, Wilson fez um balanço sobre o painel, entusiasmado com a intensa participação do público e do debate estabelecido. “Essa combinação de 5G com IoT é a próxima grande onda. Então o ambiente foi extremamente produtivo em termos de perguntas que a gente recebeu e do futuro tecnológico que tem pela frente”.

 

José também avaliou as apresentações e prestigiou os colegas e organização do evento. “As redes 5G irão revolucionar a forma como nos comunicamos. O painel sobre redes 5G (…) contou com grandes especialistas do assunto e deu ao público uma visão ampla do potencial desta tecnologia. A organização irretocável do espaço Technology Hub contribuiu em muito para o sucesso do evento e a filosofia deste espaço de levar informações de tecnologias avançadas abertas ao público merece destaque”.

 

Encerrando o primeiro dia de evento, o painel “LPWA – nova rede IoT”, ministrado por Mauricio Siqueira Huffel, Gerente de Produtos e Marketing de inovação e conectividade da Vivo, destacou as novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas pela operadora em especial as redes Low Power Wide Area (LPWA), como Narrow Band IoT (NB-IoT) e Long Term Evolution for Machines (LTE-M).

Durante o encontro, Mauricio anunciou em primeira mão a expansão das redes com o uso do IoT para 400 cidades no país, incluindo capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Belém, Porto Alegre e Curitiba.
“Para nós é muito importante, de fato, apresentar esse tipo de tecnologia nova em um evento como esse para poder fomentar o mercado, que é o nosso maior interesse. Como operadora temos o papel de entregar tecnologia, trazer comunicação, para os clientes conseguirem desenvolver as suas soluções de IoT e Máquina a Máquina. Então, poder falar e ter um tempo para poder falar isso para o mercado é muito importante para dar esse start, da gente conseguir dizer ‘chegou a hora, estamos com tudo pronto e disponível para que vocês, clientes, startups’, enfim o ecossistema consiga de fato ir lá e fazer tudo isso virar realidade!”, concluiu o gerente.

 

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